#MaisEuropaNosAçores \ Razão 1

1986 marca o ano de adesão de Portugal à União Europeia. O país havia de se lançar numa realidade diferente – caracterizada por altos níveis de desenvolvimento e competitividade. Havia, claramente, muito a ser feito por terras lusas, a bem da coesão de uma nova Europa que se queria unida e de uma relação saudável e profícua.

Os Açores sempre estiveram na cauda do desenvolvimento nacional, com graves lacunas sociais e com os piores indicadores em quase todas as áreas. Havia, uma vez mais, muito a ser feito. Identificaram-se prioridades e canalizaram-se fundos – os ditos Fundos Europeus Estruturais e de Investimento (FEEI) – e foi-se, passo a passo, melhorando o que havia a melhorar. Volvidos mais de 30 anos da integração europeia, muita coisa mudou. Estaremos nós no mesmo? Que tempo é este? – de renovação de votos ou de divórcio abrupto. Responderemos pragmaticamente.

Hoje, produzimos 11 vezes mais valor

Quando esta história começou – lá em 1986 – habitavam nos Açores 240 mil pessoas (não muito diferente do número que somos hoje), que produziam cerca de €348 milhões numa economia frágil e fechada. Havia potencial; havia oportunidades; faltava o investimento. A integração na União Europeia ajudou-nos neste último ponto, abrindo-nos horizontes e ajudando-nos a crescer. O PIB açoriano registou em 2016 cerca de €3.927 milhões, mais de 11 vezes o que gerávamos antes de integrarmos a União. Quer isto dizer, mantendo constante a população, que hoje o nosso trabalho gera mais valor e riqueza. É indubitável que os fundos e a contribuição da União alavancaram a criação de valor, quer por via da abertura de portas para um mercado muito maior que o Português; quer por via do investimento que faltava a muitas das nossas empresas. Este aumento do PIB (e a evolução no indicador de Valor Acrescentado Bruto) levou-nos a uma melhor qualidade de vida e a um desenvolvimento a todos os níveis da nossa economia.

Comprar queijo de São Jorge nas Velas, em Lisboa ou em Roma

A União Europeia recebeu-nos no mercado único que transaciona sem complicações num universo de 500 milhões de consumidores e 28 países. Cedo percebemos a qualidade superior do “made in Azores” e as exportações – que em 1987 eram de €21 milhões – cresceram e cresceram até somarem mais de €84 milhões em 2016. Em vez de vender só em Portugal, hoje levamos o que é nosso a muitos outros países europeus. É já possível saborear a Dona Amélia em Paris ou até encontrar Gorreana no famoso chá-das-cinco inglês. A “Marca Açores” – cujo projeto foi cofinanciado em 85% pela União – quer-se em todas as prateleiras da Europa, nas mercearias e nas dispensas de cada família.

Criar bases para crescer

Há alicerces que têm de ser construídos para se crescer sustentadamente. Os fundos europeus cofinanciaram e cofinanciam inúmeros projetos de incubação e parques empresariais e projetos de aceleração nas diferentes ilhas. Trata-se de ensinar a pescar, em vez de se entregar o peixe – capacitando-se pequenas e médias empresas.

Centenas de empresas têm beneficiado diretamente dos fundos – que catalisam as suas estratégias e estruturas. Só no quadro 2014-2020 espera-se que 1.045 empresas recebam investimento europeu. Esses investimentos direcionam-se ao reforço da capacidade produtiva; do aumento de recursos; da capacitação tecnológica e humana; entre muitos outros. Crescimento significará lucro e criação de emprego – um ciclo virtuoso de que tanto precisamos para fortalecer a nossa economia.

A resposta à pergunta inicial parece-nos evidente. Renovem-se os votos com uma União que nos torna cada vez mais competitivos. Quem disse que a Europa é lá longe e não traz nada de bom? A Europa somos também nós e está a mudar a nossa vida todos os dias – para melhor. Por isso não a podemos ignorar, nem tampouco deixar de retribuir. No próximo dia 26 de maio, as eleições europeias elegem aqueles que vão trabalhar para garantir que a União Europeia está próxima da nossa Região e nos apoia a colmatar as lacunas que – por sermos ilhéus a meio Atlântico – tanto nos condicionam. Votar é essencial, pelo futuro da nossa Europa e para que haja cada vez mais Europa nos nossos Açores.