#MaisEuropaNosAçores \ Razão 8

1986 marca o ano de adesão de Portugal à União Europeia. Caminhamos para as eleições europeias e revemos o contributo da União Europeia para o desenvolvimento da Região Autónoma dos Açores. Objetivo: responder pragmaticamente à pergunta “o que fez a UE por nós?” e mostrar que a nossa Europa merece que nos envolvamos mais.

Há 33 anos o contexto era outro. É certo que 9 ilhas dispersas exigem um esforço diferente, a replicação de infraestruturas básicas e um maior esforço de harmonização. É certo que tudo isto requer investimento adicional – para o qual os fundos europeus (FEEI) em muito vieram contribuir. Analisemos a saúde da relação Açores-Europa para entendermos o que significará o futuro que se aproxima.

Uma rede de saúde para todos 

A convicção popular “haja saúde” requer uma rede de serviços eficaz e próxima dos cidadãos – vezes nove, para que chegue a todos. Os fundos da União Europeia permitiram uma renovada rede de cuidados à população, mais e melhores infraestruturas, a fixação de especialistas em várias áreas da Medicina e a diminuição das necessidades de deslocação ao Continente para acesso aos serviços de saúde. Só em 2016, foram aprovados 27 projetos de melhoria dos equipamentos sociais e de saúde, que se espera que impactem mais de 125 mil pessoas. Até 2020 esse impacto deverá abranger pelo menos 170 mil açorianos.

Os hospitais e centros de saúde da Região têm merecido uma especial atenção em termos de investimento – dezenas de milhões de euros. O novo hospital da ilha Terceira e projetos mais recentes como os centros de saúde de Ponta Delgada, da Calheta de São Jorge, Lajes do Pico e Santa Cruz das Flores contam com taxas de cofinanciamento a rondar os 85%. Sem os fundos europeus, a construção e beneficiação destas infraestruturas seria muito mais difícil para a região. É verdade que o nosso contexto não nos permite ter um hospital por ilha, mas realisticamente falando, verificamos um progresso muito significativo em termos de infraestruturas. Este progresso levou a que os Açores estejam (a par da Madeira) entre as regiões europeias onde a disponibilidade de camas hospitalares por mil habitantes é maior, contrariando a tendência nacional e bastante superior à média da UE28. 

Reforço dos profissionais de saúde

A par das novas e melhores infraestruturas, registou-se um investimento em termos de pessoal. Desde a adesão à União Europeia, o número de enfermeiros em hospitais e centros de saúde triplicou: de 532 em 1986 para 1.447 em 2013. Por outro lado, o número de médicos cresceu 75%, para 566 profissionais hoje. Nos Açores há um médico para cada 437 habitantes – ainda distante da realidade nacional, mas significativamente melhor que o que sucedia 30 anos atrás. Hoje é mais fácil encontrar profissionais de saúde preparados para atender os açorianos nas suas necessidades e fragilidades.

Viver mais e melhor

Muito nos orgulhamos de viver num pequeno paraíso. E estamos a viver cada vez mais. A verdade é que o impacto dos investimentos revê-se além de números de pessoal e infraestruturas. Nestes 33 anos de integração europeia, registaram-se evoluções muito relevantes na redução da taxa de mortalidade e na taxa de mortalidade infantil. Mais: a esperança média de vida da população Açoriana aumentou de 73,6 em 2001 para 77,5 anos hoje (todavia, ainda abaixo da média nacional). 

O balanço parece-nos positivo. É certo que comparativamente às médias regionais e europeias ainda há um atraso em alguns dos indicadores analisados, mas a evolução é relevante e significativa. A marca dos investimentos em infraestruturas e pessoal é indelével. Quem disse que a Europa é lá longe e não traz nada de bom? A Europa somos também nós e está a mudar a nossa vida todos os dias – para melhor. Por isso não a podemos ignorar, nem tampouco deixar de retribuir. No próximo dia 26 de maio, as eleições europeias elegem aqueles que vão trabalhar para garantir que a União Europeia está próxima da nossa Região e nos apoia a colmatar as lacunas que – por sermos ilhéus a meio Atlântico – tanto nos condicionam. Votar é essencial, pelo futuro da nossa Europa e para que haja cada vez mais Europa nos nossos Açores.